segunda-feira, 8 de abril de 2013

Como as pessoas aprendem?



Livro bastante intrigante e revelador, "Como as pessoas aprendem: Cérebro, mente, experiência e escola", da Editora Senac de São Paulo e que tem como responsável pela publicação o Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos, nos dá boas idéias acerca de como a aprendizagem acontece...

Sempre associei a possibilidade de realmente entender, conhecer e adquirir novos saberes à leitura num sentido ampliado, ou seja, através da qual nos propomos não apenas a entender palavras, parágrafos e textos escritos - mas também a compreender a vida que está acontecendo ao nosso redor.

Penso também que qualquer forma de aprendizagem só se efetiva realmente a partir do momento em que o que está sendo ensinado seja significativo aos olhos daqueles que estão estudando e aprendendo. Outra forte crença pessoal relacionada ao processo de ensino-aprendizagem relaciona-se ao respeito e a consideração que os educadores devem ter pelos saberes e experiências com as quais os alunos entram na sala de aula.

Toda a sua vivência anterior ao encontro com os educadores não pode jamais ser desprezada quando as aulas se iniciam, esses saberes podem ser muito úteis e enriquecedores.

Educação é também, a meu ver, uma relação de mão dupla. Mesmo levando-se em conta que há papeis estabelecidos, hierarquia a ser respeitada e obviamente muito maior experiência e conhecimento por parte de que está exercendo a função de professor, os ensinamentos também advém dos estudantes para os demais estudantes e deles para os educadores.

A efetivação do processo educativo torna-se eficaz se na sala de aula a proposição de trabalho também não se restringir a uma relação fria - onde apenas o conhecimento une as pessoas ali presentes. O caráter humano deve aproximar as pessoas e, dessa forma permitir que, estabelecida uma relação solidária e de empatia, a educação ocorra como deve.
“Um dos marcos da nova ciência da aprendizagem é a ênfase na aprendizagem como entendimento. Intuitivamente, o entendimento é bom, mas é difícil estudá-lo do ponto de vista científico. Ao mesmo tempo, os estudantes geralmente têm poucas oportunidades de entender ou dar sentido a certos tópicos, pois diversos currículos enfatizam mais a memória que o entendimento. Os livros escolares estão repletos de fatos que os estudantes têm de memorizar, e a maior parte dos testes avalia (apenas) sua capacidade de recordar os fatos." (Como as pessoas aprendem, Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos, publicado no Brasil pela Editora Senac-SP, 2007).
Nesse sentido cabe sempre questionar: Você se preocupa com a compreensão pelos seus alunos daquilo que está sendo ensinado? Qual é a sua compreensão de entendimento em ensino-aprendizagem? Sua atuação enquanto professor privilegia a memorização? Ou você acredita que através do seu trabalho o encaminhamento é sempre para o entendimento? Qual é a característica predominante dos livros e recursos que utiliza em sala de aula com seus estudantes? Que metodologias emprega para ensinar que são caminhos claros e naturais para a compreensão dos temas e quais outros seguem na direção da memorização?

Memorizar não é errado... Depende das informações que estão sendo trabalhadas e do propósito ou destino que pretendemos dar a elas! É natural que todos pensemos, enquanto educadores, que a nossa prática pedagógica é mais esclarecedora (e portanto que a mesma encaminha para o entendimento e a compreensão dos temas por nós trabalhados) do que articulada em benefício da memorização...

Mas na maior parte dos casos (esmagadora maioria, diga-se de passagem), a tendência é o encaminhamento de informações que os estudantes acabam apenas memorizando e, ao não ver valor e utilidade para os dados apresentados, acabam posteriormente descartando.
O que fazer? O princípio de qualquer mudança séria e necessária a se efetivar é a auto-crítica e a capacidade de imersão nos processos e práticas que estamos adotando em nossas vidas e realidades profissionais nesse exato instante. Talvez um ponto de partida interessante para essa reflexão sejam as questões que apresentei acima...
"A ênfase no entendimento leva a uma das principais características da nova ciência da aprendizagem: o foco nos processos do conhecimento. Os seres humanos são vistos como agentes guiados por objetivos, que procuram informações de modo ativo. Chegam a educação formal com uma série de conhecimentos, habilidades, crenças e conceitos prévios, que influenciam significativamente o que percebem sobre o ambiente e o modo como organizam e interpretam essa percepção. Isso, por sua vez, influencia suas capacidades de recordação, raciocínio, solução de problemas e aquisição de novo conhecimento. (...) No sentido mais geral, a visão contemporânea a respeito de aprendizagem é que as pessoas elaboram o novo conhecimento e o entendimento com base no que já sabem e naquilo em que acreditam." (Como as pessoas aprendem, Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos, publicado no Brasil pela Editora Senac-SP, 2007).
Não é possível que continuemos entrando em sala de aula desprezando os conhecimentos preexistentes de nossos estudantes. Impor conteúdos sem levar em conta a experiência de vida e os direcionadores que os alunos adquiriram ao longo de suas vidas, no contato com suas famílias, com as comunidades em que vivem ou viveram, com a religiosidade, com o meio-ambiente, com elementos de cultura com os quais tiveram contatos até a entrada na escola... É, certamente, um erro dos mais grosseiros cometidos pelos educadores.

Foram muitas as oportunidades em que li ou ouvi pessoas dizendo que os alunos não são como lousas em branco, nas quais nenhuma informação existia de antemão até o ingresso dos mesmos nas escolas. Porém, uma coisa é pensarmos dessa forma, outra bem diferente refere-se à aplicação e respeito a essa idéia. A coerência entre o pensar e o agir é a maior dificuldade e empecilho a aplicação de ótimas idéias com as quais travamos contato.

A princípio todo mundo advoga o que parece ser a idéia mais importante em voga no momento ou mesmo conceitos clássicos consagrados e respeitados por todos... Mas na prática o que vemos é a continuidade do velho e tradicional esquema de aulas em que os alunos somente prestam atenção (se é que isso realmente acontece, já que a escola é tão cansativa, repetitiva e desgastante) e os professores despejam informações de forma até mesmo inconsciente - num reprodutivismo sem reflexão, despropositado quanto a formação plena e crítica do aluno a comunidade. Que tal repensar tudo isso?

Vamos valorizar a experiência prévia do aluno, mas não podemos deixar de demonstrar aos mesmos quais são os caminhos da ciência em contraposição ou como raciocínio melhorado em relação ao conhecimento mais simples, de senso comum trazido pelo estudante de sua experiência no mundo.

Por João Luís de Almeida Machado

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